Somos todos muito influenciados pelas nossas
lembranças da infância. Pertencem a um passado distante e fantasioso. Na mente
de meninos e meninas tudo é maior, mais belo e significativo. No caso de Teté
suas lembranças remetem a um lugar lendário, porque até os 7 anos viveu em São
Luís do Maranhão. E o nordeste, com suas lendas e cultura regional forte,
fornece com certeza um mundo muito rico, que é capaz se perpetuar na mente de
quem lá viveu para sempre.
Ele me disse que a história do
bandido “Cancão de Fogo” daria um livro. Difícil se esquecer de um bandido que
se escondia nos telhados da lendária Igreja do Desterro. Essa Igreja é
conhecida por ser a mais velha de São Luís do Maranhão, sendo a sua primeira
construção datada de 1618. Apresenta detalhes arquitetônicos de estilo
bizantino, o que é bem raro no Brasil.
Onde nasceu? Em São Luís do Maranhão, no
bairro do desterro.
Como
foi a sua infância? Na
verdade minha infância foi cheia de mudanças, nasci no bairro do desterro, São Luís
do Maranhão. Fiquei lá até os sete anos, onde ficou na minha memória o temível
bandido “Cancão de Fogo” que assustava o bairro. Depois dos 7 anos passei 1 ano
em Belém do Pará e depois aos oito anos cheguei ao Rio de Janeiro, onde estou
até hoje. Infância boa mesmo eu tive aqui no Rio. Cheguei em 1973 e só pensava
em ser jogador de futebol, até tinha talento para isso, mas ficou no sonho.
O que se lembra do bandido Cancão de Fogo? A lembrança que eu tenho dele é que ele era bem temido, quando ele passava pela rua que eu morava, todo mundo entrava imediatamente para as suas casas com medo dele. Parece que ele sequestrou várias crianças na época e pedia um dinheiro para liberá-las. Vi a policia atrás dele e ele estava nos telhados da Igreja do Desterro, igreja popular e cheio de lendas e mistérios. E a polícia não conseguiu prender esse bandido que simplesmente desapareceu...
Você tinha medo do Cancão de Fogo? Tinha
medo sim, como todas as crianças da época.
Quando
e porque decidiu ser um fotógrafo? Já exerceu outra profissão? Na
verdade perdi um emprego no qual eu era até bem remunerado na Rede Ferroviária Federal.
Então o meu tio, que trabalhava em um laboratório fotográfico, me perguntou se
eu queria trabalhar com ele. Aceitei, e até hoje sou impressor fotográfico,
para aumentar a minha renda aprendi a fotografar e me apaixonei pela essa arte.
Tem algum sonho na vida? No
momento o meu maior sonho é montar um estúdio fotográfico e já estou bem
próximo de transformá-lo em realidade.

