sexta-feira, 20 de maio de 2016

Entrevista com o fotógrafo Teté Paixão


Somos todos muito influenciados pelas nossas lembranças da infância. Pertencem a um passado distante e fantasioso. Na mente de meninos e meninas tudo é maior, mais belo e significativo. No caso de Teté suas lembranças remetem a um lugar lendário, porque até os 7 anos viveu em São Luís do Maranhão. E o nordeste, com suas lendas e cultura regional forte, fornece com certeza um mundo muito rico, que é capaz se perpetuar na mente de quem lá viveu para sempre.

Ele me disse que a história do bandido “Cancão de Fogo” daria um livro. Difícil se esquecer de um bandido que se escondia nos telhados da lendária Igreja do Desterro. Essa Igreja é conhecida por ser a mais velha de São Luís do Maranhão, sendo a sua primeira construção datada de 1618. Apresenta detalhes arquitetônicos de estilo bizantino, o que é bem raro no Brasil.







Onde nasceu? Em São Luís do Maranhão, no bairro do desterro.
 
Como foi a sua infância? Na verdade minha infância foi cheia de mudanças, nasci no bairro do desterro, São Luís do Maranhão. Fiquei lá até os sete anos, onde ficou na minha memória o temível bandido “Cancão de Fogo” que assustava o bairro. Depois dos 7 anos passei 1 ano em Belém do Pará e depois aos oito anos cheguei ao Rio de Janeiro, onde estou até hoje. Infância boa mesmo eu tive aqui no Rio. Cheguei em 1973 e só pensava em ser jogador de futebol, até tinha talento para isso, mas ficou no sonho.


O que se lembra do bandido Cancão de Fogo? A lembrança que eu tenho dele é que ele era bem temido, quando ele passava pela rua que eu morava, todo mundo entrava imediatamente para as suas casas com medo dele. Parece que ele sequestrou várias crianças na época e pedia um dinheiro para liberá-las. Vi a policia atrás dele e ele estava nos telhados da Igreja do Desterro, igreja popular e cheio de lendas e mistérios. E a polícia não conseguiu prender esse bandido que simplesmente desapareceu...

 
Você tinha medo do Cancão de Fogo? Tinha medo sim, como todas as crianças da época.

Quando e porque decidiu ser um fotógrafo? Já exerceu outra profissão? Na verdade perdi um emprego no qual eu era até bem remunerado na Rede Ferroviária Federal. Então o meu tio, que trabalhava em um laboratório fotográfico, me perguntou se eu queria trabalhar com ele. Aceitei, e até hoje sou impressor fotográfico, para aumentar a minha renda aprendi a fotografar e me apaixonei pela essa arte.

 O que gosta de fazer nas horas vagas? Nas horas vagas procuro me distrair, vou a bares, jogo uma bola de vez em quando e sou apaixonado por escola de samba, estou sempre em ensaios de escola de samba, sempre que é possível.

Tem algum sonho na vida? No momento o meu maior sonho é montar um estúdio fotográfico e já estou bem próximo de transformá-lo em realidade.

 Que mensagem deixaria para as pessoas? Não invejo nada de ninguém e sou satisfeito com tudo que eu conquistei.

Carnaval, Eleições e Cerveja

  Carnaval no Brasil. E, neste ano, coincidência ou ironia, também ano eleitoral . Por aqui, aliás, tudo parece começar depois do Carnaval...