Na Grécia Antiga filósofos como Sócrates, Aristóteles e Platão, entre tantos outros, iniciaram um movimento novo na história. Uma nova tendência, algo revolucionário. Até então todas as explicações sobre quase tudo era baseado no sobrenatural, no misticismo. Basicamente na construção de um mito. Essa construção foi importante no sentido de unificar a sociedade, principalmente a partir do surgimento das grandes cidades. O que se acredita coletivamente se torna uma identificação cultural.
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Voltemos aos gregos socráticos,
onde surge a Filosofia. Algo novo que tenta se utilizar de outras ferramentas
cognitivas. Parte do princípio de que nada sabemos. E que é necessário
raciocinar para se buscar a verdade. Logo, perguntas são formuladas e estas
são, dentro do possível, respondidas. Com o passar dos séculos muito do que
Aristóteles escreveu se mostrou errado. Mas, foi um dos primeiros homens a
formular, por exemplo, um modelo do Universo baseado em seu pensamento e nas
observações.
A grande questão, mais do que o
conhecimento enciclopédico já todo estabelecido, é o paradigma da forma de
pensar. A Filosofia abriu um novo caminho para o ser humano, permitiu o
surgimento da Ciência, séculos depois. Grandes nomes, como Galileu Galilei,
Isaac Newton e Charles Darwin transformaram a humanidade em uma outra
civilização. Muitos se beneficiam das aplicações da Ciência, a Tecnologia, mas
não se questionam sobre como se chegou a esse grau de Desenvolvimento. Se a
Filosofia não tivesse surgido, muito provavelmente você não se comunicaria com grupos
de pessoas através de um sofisticado e pequeno equipamento, o telefone celular.
Infelizmente, a maneira de pensar
do ser humano, em média, não mudou. Tivemos momentos de vanguardismo, como o
Iluminismo e as Revoluções, mas a grande maioria continua vivendo sob os
paradigmas mentais pré-socráticos. E não da época dos Sofistas, mas sim, por
exemplo, da Antiga civilização Egípcia. Hoje, apenas uma pequena elite intelectual,
realmente consegue viver mais livre no sentido do pensamento. Mas, a grande
massa humana, continua assombrada pelos Demônios.
É uma constatação da realidade. E
cada grupo humano considera que a sua religião é melhor, pois somente ela
representa “a verdade”. Mas, a grande Verdade é que somos absolutamente
pequenos frente a esse gigantesco Universo. Giodarno Bruno foi condenado à
morte na fogueira pela Inquisição por propor que as estrelas fossem sóis
distantes cercados por seus próprios planetas. Ao observar um buraco negro ou
uma galáxia pensamos que realmente nada somos. O que não significa que não
consigamos dar sentido à vida, muito pelo contrário. Pois, acreditar em
narrativas montadas pelo ser humano é que não vai nos trazer um sentido
verdadeiro.
De onde vem todo esse obscurantismo? A negação da Ciência. O método científico começa com o levantamento de uma hipótese. E exige que diversos critérios sejam seguidos para que se torne válida, através de experimentos, de comprovações baseadas em dados. Todo o rigor do método científico permite que hipóteses sejam continuamente refutadas ou aceitas. Logo, a ciência não é estática, ela é mutável. Muitos que rejeitam a ciência se beneficiam no dia a dia de seus inúmeros progressos, como o uso de um simples antibiótico. Cada um de nós precisa agir como um cientista, sempre em busca da Verdade, questionando tudo e estando atendo aos dados da realidade, assim como fez o personagem de Sean Connery em “O Nome da Rosa”. Somente desta forma estaremos perto da Verdade.
Há muito o que construir na nossa
sociedade, no sentido de permitir o debate mais filosófico nas escolas e na
família. A princípio nenhum pensamento deveria ser proibido, desde que fosse
livre do misticismo. Bem no estilo de racionalismo de René Descartes, “Penso,
logo existo”. Mas que também permita o entendimento do Empirismo. Muito deve
ser entendido, questionado, o exercício do livre pensar junto com observações
da realidade podem dar um Verdadeiro significado à vida humana.
O cientista Marcelo Gleiser
propõe uma definitiva conciliação entre a Razão e a Fé. Talvez como Santo
Agostinho fez na Idade Média, ao introduzir textos de Platão dentro da temática
religiosa. Tenho dúvidas que essa suposta integração seja possível. Em geral,
esperam que os racionais abram um espaço para o pensamento místico, nunca o
contrário. Pois, os que seguem dogmas e narrativas místicas dificilmente se
permitem a leitura de livros questionadores ou até mesmo evitam assistir certos
tipos de filmes. Então, essa ligação entre extremos deveria propor que os meios
religiosos debatessem mais sobre ciência, literatura, arte e cultura. O que não
se verifica.
Enquanto o homem não se libertar
de fato de suas amarras mentais o obscurantismo continuará reinando, como
sempre o fez na história humana. A Terra continuará plana para muitos e as
vacinas continuarão inimigas. Enfim, cabe a cada um de nós essa transformação. É
preciso se questionar sobre toda uma imposição cultural desde a infância, o que
é difícil. E que nesse caminhar não deixemos de amar os irmãos que continuam
acreditando nas superstições. O primeiro passo precisa ser estimulado. Afinal,
o ser humano é capaz de pensar de forma racional e buscar a verdade através da
comprovação científica. Isso torna um indivíduo livre.






